3Meia5, o fim.

Esperança:

1. Disposição do espírito que induz a esperar que uma coisa se há-de realizar ou suceder.

2. Expectativa.

3. Coisa que se espera.

4. Confiança.

Como gerente/dono/coordenador/editor chefe deste projeto, o que eu mais tive ao longo desses 150 dias foi esperança. Quis muito que tudo isso desse certo para, no ano que vem, ter gás suficiente de transformar o projeto em livro e levar o nome e o dia de pessoas até então desconhecidas para o mundo.

Não é fácil gerenciar tudo isso. Meu dia no 3meia5 (só pra seguir o modelo do projeto) começava comigo tentando encontrar um voluntário para escrever no blog já que, muitas vezes, a pessoa que havia me confirmado presença no começo do ano simplesmente desaparecera. Costumava mandar dois e-mails para quem está escalado. Um dois dias antes e outro um dia antes da postagem. Com isso, costumo ter cinco cenários:

1. A pessoa confirma a presença já no primeiro e-mail que eu mando e seu post chega na minha caixa de entrada sem problemas.

2. A pessoa confirma a presença e não envia o post e não dá nenhum tipo de satisfação como: "te envio hoje a noite ou amanhã pela manhã".

3. A pessoa some e não dá notícias.

4. Escalo um voluntário que estava na reserva e ele envia o texto.

5. Escalo um voluntário que estava na reserva e ele também desaparece.

Ou seja, ultimamente tenho tido mais decepções com quem se inscreveu no projeto do que alegrias de ler um bom texto.

Agora junte isso a eu ter um trabalho de extrema responsabilidade e começar uma segunda faculdade. Meu tempo e minha paciência ficariam escassos demais para continuar um projeto que não me traz dinheiro e que ultimamente não me traz mais alegria de tocar.

Achei que nunca perderia as esperanças com as pessoas (generalizar eu sei, é feio, mas relevem isso) e juro que já faz uns dois meses que estou pensando em fechar este blog. Não estou mais tendo aquela alegria de ver todo dia um texto novo sobre alguém que eu nunca conheci e editá-lo e publicá-lo no blog. Está sendo um trabalho cansativo e frustrante em muitos momentos.

Achei que seria importante fazer este post para explicar o motivo da parada por tempo indeterminado deste projeto. Seria justo com quem já publicou e com quem se importaria em publicar ainda por aqui. Pra quem já teve o texto publicado por aqui, ele permanecerá no ar por tempo indeterminado (a não ser que você queira que eu o remova).

Quero pedir imensa desculpas a todas aquelas pessoas que perderam uma hora do seu tempo pra me responder a pergunta: "Como foi seu dia?". E mais desculpas ainda com aqueles que estavam esperando escrever por aqui. Aqueles que mantiveram a responsabilidade de cumprir com um compromisso com mais 364 pessoas.

Vale ainda agradecer àquelas pessoas que me ajudaram a manter o blog e me deram forças de continuar até hoje. VALEU!

Para quem quiser manter contato comigo, meu e-mail não mudou e meu twitter ainda está no ar.

Enfim, é o fim.

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31 de Maio, Dia da Crise Existencial

Hoje de manhã escuto de um funcionário da empresa: "nossa, você faz as coisas rápido demais!"

Daí na hora do almoço vou tentar experimentar um monte de roupas de uma vendedora....umas ficam grandes e outras pequenas.
Será que eu sou diferente dos outros?

Aí me ligam avisando que o seguro do meu carro vence amanhã. Desmemoriada eu? Imagina!

Agora o que houve de bom? Minha mãe fez strogonoff no almoço. E hoje meu noivo vai receber a premiação de um concurso de redação que ele participou.

Do mais, estou às voltas com a difícil decisão de saber que modelo de vestido de noiva que vou usar no meu casamento ano que vem.

Quer dia mais cheio de crise que este?

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Lidiane Fenerich tem 29 anos, é Coordenadora de Qualidade, tem um brechó, faz trabalhos de consultoria e quando sobra um tempinho escreve em http://acampamentodeideias.blogspot.com/

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30 de Maio, O dia que fiquei famosa na internet

Não foi nenhum fenômeno parecido com A banda mais bonita da cidade que virou meme no twitter e viral nas demais redes sociais, mas em proporções menores, acordei hoje com uma surpresa: em 8 horas, meu blog pessoal recebeu mais de 300 visitas.

Sempre tive blogs mais pela facilidade de armazenamento que pela vontade de compartilhar. Escrevo pra desabafar, pra esvaziar espaço dentro de mim. Nunca consegui a seriedade exigida pra um conto ou um romance, fico aqui quietinha nas crônicas, onde o estilo me permite falar palavrão, colocar gírias e ser o mais cotidiana possível nos tantos blogs que tenho espalhados por aí.

Ontem publiquei um texto no meu blog, saído do forno há duas semanas. Usei a única forma de divulgação que pratico: mandei pra alguns dos meus amigos pelo twitter. O que foi muito fail porque o encurtador de links não estava redirecionando corretamente e decidi mandar por dm (direct message) pra cada um deles.

Segunda, dia 30, acordei 14h. Minhas dms estavam todas respondidas, todos os amigos gostaram do post. Foi nas mentions que me surpreendi: vários deles tinham twittado o post e vários desconhecidos deram RT. Veja bem, meu twitter é trancado e meu blog não aceita comentários, não sou exatamente o tipo de pessoa que quer propagar sua idéias.

Entrei no blog curiosa e foi la que vi as 300 fucking visualizações (agora são 431). Aceitei alguns dos follow request (ferramenta que permite aceitar ou recusar pessoas que querem ter acesso ao seu twitter) e mandei uma dm pra um amigo do twitter que tem 8500 seguidores com a pergunta: cansa não¿ não cansa ter esse monte de gente criando expectativas sobre o que você começou fazendo sem intenção de agradar¿

Ele não respondeu ainda, mas eu decidi que expectativas são bem vindas, se acompanhadas de uma cerveja bem gelada.

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Carine com c, Caitano com i: diferente, mas nem tanto. Sou carioca, ariana, trabalho com elaboração de Projetos Culturais e curso Administração Pública na UFRRJ, onde moro numa república com 8 meninas. Respeito, pratico e divulgo a diversidade

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29 de Maio, Domingo é sempre assim

Floripa, domingo, céu aberto, cidade morta, ruas vazias, shoppings cheios, nada para se fazer, na TV o Corintians e sua massa, o Mengo e sua massa, as torcidas anestesiadas. Típico interior com diploma de capital.

Como diz a música dos Titãs "Domingo é sempre assim/ E quem não está acostumado?"

Acordo, abro os olhos e vejo o relógio marcando 13 horas, olho para o lado e vejo a coisa mais importante da minha vida, minha amada,

Melhor que não ter hora para acordar depois de uma semana rotineira e estressante de trabalho é dormir e acordar com quem se ama.

Levanto da cama e aquele friozinho, típico dia de início de inverno.

Paro por um segundo e penso. O que fazer num dia como esses? Tantas coisas que gostaria de fazer, coisas que as responsabilidades do dia-a-dia me privam durante a semana. Só tem um problema nisso, a preguiça é mais forte que eu.

Após ver meu time, o alviverde de Parque Antartica, empatar por um a um fui fazer algo que quase nunca faço, programar. Como um bom nerd maldito, se não bastasse passar a semana toda escrevendo linhas de código, comendo linhas de código, sonhando com linhas de código, num domingo tedioso, sento na frente do pc e vou analisar linhas de código.

Após passar o dia sem fazer nada de útil, como num piscar de olhos o domingo se acaba, e amanhã, segunda feira, começa tudo novamente, trabalho, códigos e stress.

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Rodrigo Fortes, 31 anos, Analistas de Sistema. Passa a maior parte do tempo na frente do computador. Nas horas vagas, escreve no blog rodrigo-fortes.blogspot.com, além doforigination.blogspot.com, onde escreve sobre o seu hobby, Plastimodelismo.

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28 de Maio, Entre carrosséis e angústias, com Freud e Cher

Marvin

Sábado de manhã. Eu deveria estar me arrumando para ir a um evento de cinema + filosofia no Teatro Nelson Rodrigues, mas acordei com o corpo inteiro doendo e uma fraqueza que me fazia querer realizar uma fusão com a colcha. Compromisso desmarcado. Descanso orquestrado com resmungos murmurados, repletos de reductio ad absurdum catastrofistas referentes ao meu estado debilitado e xingamentos criativos quando à culpa do universo nisso tudo.  

Mas no meio da tarde eu já estava melhor. A cabeça tinha parado de doer, pelo menos, e eu não me sentia mais com a cara do Marvin.

Frio suspenso no ar, quase se materializando num amálgama vaporoso. Uma xícara de cappuccino de chocolate fumegando na mesa. Muitos livros e HQs espalhados. Outro tanto de papéis xerocados de textos da faculdade. E uma quantidade alarmante de abas do Word e do leitor de pdf abertas ao mesmo tempo. Textos e mais textos sobre psicologia, psicanálise e filosofia. Alternava entre uma leitura e outra fazendo marcações pontuais e anotações apressadas no bloco de notas. Nos fones de ouvido, Ellie Goulding cantava um “so we burst into colors, colors and carousels” [1] e o clima de contemplafantasiação etérea da música contrastava com a densidade dos textos sendo estudados.

Correndo contra o tempo para terminar um trabalho da disciplina de Psicologia da Educação, mergulhei nos conceitos freudianos de angústia. Um texto achado aleatoriamente pela interwebz quando me jogay no Google me levou a comparar os conceitos psicanalíticos com as filosofias de Kierkegaard e Sartre. Pronto, estava formado meu sábado existencialista com pequenos e insistentes resquícios de uma magia poética que se perdia no synthpop que estourava no iTunes. E o desespero dessa cultura de hyperlink não deixando o mouse quieto um segundo sequer.

 “O homem (...) está irremediavelmente perdido, caiu do lugar que lhe é próprio sem conseguir encontrá-lo novamente, e o busca por toda parte com inquietação e sem êxito, mergulhado em trevas impenetráveis”. Assim Blaise Pascal descreve a situação trágica do ser humano.” [2]

 Parei pra ler o mesmo trecho de citação umas cinco vezes antes de prosseguir. Imediatamente me veio à mente uma ilustração do genial e controverso Robert Crumb, em que ele se desenha num estado de pura fragilidade, exposição e desamparo. Nu e sentado numa salinha claustrofóbica, imunda e iluminada por uma única e decrépita lâmpada pendente do teto baixo, ele abraça os próprios joelhos e ostenta uma expressão exagerada de nada mais nada menos do que a famigerada angústia. Olhos arregalados e rabiscados de veias. Talvez uma das imagens mais perturbadoras do artista, desbancando todas as loucuras sexuais e pornográficas que marcam seu trabalho na nona arte.

Ilustracao_de_robert_crumb

 Pensei em fazer uma releitura dessa imagem no trabalho, que estava sendo construído em cima de um quadrinho de Maurício de Souza (sobre o Piteco, um personagem homem da caverna que perde sua clava e sente-se um inútil sem ela), onde deveríamos não apenas explicar a história com a teoria de um dos autores que estudamos em sala de aula, mas reconstruir a história no campo da educação de acordo com essa teoria. Imediatamente inúmeras situações de angústia sob o viés de Freud me vieram à mente. Perdas, traumas, regressões. As possibilidades eram diversificas e complexas. Mas meu sábado infelizmente não possui 48 horas, e como ainda não aprendi a manipular o espaço-tempo, tampouco a linearidade irreversível dessa contagem cronológica impiedosa, apenas rascunhei o que escreveria e parti para outros trabalhos da mesma matéria. Adiantei uma atividade de Piaget aqui e outra sobre Skinner ali. A essa altura, o fone tinha silenciado por um período e depois voltado à ativa numa mescla de Grégory Lemarchal e Cher.

Quando o iTunes começou a tocar “Heart of Stone” e os versos simples e impactantes da canção ecoaram na minha cabeça, fui levada de volta ao tema da angústia. Na voz poderosa da cantora americana, a pergunta “Don't you sometimes wish your heart was a heart of stone?” [3]adquire um peso de ansiedade e desamparo impressionante. Os versos compactos e objetivos que se seguem caem como pedaços físicos da realidade à nossa volta, como se ela se desintegrasse violentamente. Imagine o tecido do real rasgando bem na sua frente e despencando diante de seus pés, deixando transparecer nada mais do que um vazio absoluto e ao mesmo tempo lotado de desespero. “Look at the headlines! Big crowd at the crazy house, long cue for the joker's shoe, ten rounds in the ring with love. Do you lose and win, or win and lose” [4]. A pontuação com um grito que é quase um pedido de socorro clamando “Mercy! Mercy! Wish your heart was a heart of stone!” [5] é o ápice da expressividade frente a uma cornucópia de exageros informacionais. Sofrimentos dos quatro cantos do mundo, pulsando em suas particularidades tão distantes de nossas mãos sedentas por uma redenção e ao mesmo tempo tão próximos de nossos sentidos de consumidores imagéticos. Enlouquecer perante tanta impotência ou deixar-se enganar conscientemente pela piada. Mas, ah, meus amigos, o comediante está morto. Acaso não leram Watchmen?

Imagem_de_pagina_de_watchmen

Entre Freud, Kierkegaard, Sartre e outros pensadores, nesse sábado eu preferi a definição de uma simples música. Ao final de uma sequência caótica de colagens plásticas mentais e criações e desconstruções conceituais que se perderam nos confins das minhas sinapses, o último verso de “Je T’écris” na voz de Grégory Lemarchal finalizou minha entropia particular e acalmou minhas percepções, transportando-me de volta ao estado de contemplafantasiação, dessa vez upado para um level superior de ambivalência.

Terminei meu sábado da maneira que terminarei esse texto.

 “Je t’écris ébloui par tant d’humanité”. [6]

Notas:

 [1] “então explodimos em cores, cores e carrosséis” (Tradução minha).

[2] Fonte: “Angústia (Freud)”, texto de Roberto Girola, acessível em http://www.robertogirola.com.br/psicanalise/angustia-freud#Tema3

[3] “Você não deseja, às vezes, que seu coração fosse de pedra?” (Tradução minha).

[4] “Olhe para as manchetes! Multidão no hospício, uma longa fila para os sapatos do comediante, dez voltas no circuito com amor. Você perde e ganha, ou ganha e perde?”. (Tradução minha). Aqui há um sentido duplo, já que, em inglês, o verbo to lose significa perder não apenas algo material, físico, mas também perder a sanidade. Em outra parte da música, o mesmo tipo de ambiguidade é expressado. Na passagem "Are you down and up, or up and down?". Na tradução literal: "Você cai e levanta, ou levanta e cai?" ou "Você está mal e bem, ou bem e mal". A expressão "down" significando "baixo", "caído" ou "mal" de "estar mal" e "up" significando "pra cima", "levantado", ou "bem" de "estar bem".

[5] “Misericórdia! Misericórdia! Deseje que seu coração fosse de pedra!” (Tradução minha).

[6] “Escrevo-te embevecido por tanta humanidade” (Tradução minha).

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Alliah é escritora, desenhista e pintora. Natural de Niterói/RJ e com 19-quase-20 anos, estuda Educação Artística/Artes Plásticas na UFRJ. Contemplafantasiar é seu neologismo preferido atualmente. Publicou contos de ficção científica e fantasia em coletâneas nacionais e está preparando seu primeiro romance que, por acaso das probabilidades dentro desse sistema dinâmico não-linear chamado vida, não será nem de ficção-científica, nem de fantasia. Deveria ter sido uma rockstar, mas não sabe cantar. Tem blog, Twitter e e-mail.

 

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27 de Maio, O hoje terminou amanhã

Meu dia começou ontem. Não, há dois anos. Pensando bem, não sei quando. Difícil dizer quando começa, porque um dia é sempre consequencia do outro...
Mas 27/05/2011 começou ontem mesmo, com a confirmação de uma reunião que teria pela hoje manhã. Claro, acordei atrasado, com os gatos enrolados no edredon junto comigo. Friozinho e ninguém quer levantar! E essa gripe com tosse que não passa. Banho corrido, café com email, minha irmã já deu comida pros bichanos.

Como todo bom paulista, minha vida é ficar no trânsito parado. E a melhor coisa para fazer no trânsito é fazer outra coisa, sempre digo! E da-lhe celular ao volante, falando com clientes, tentando produzir as coisas.

Depois da reunião sobre um programa de TV que estou produzindo, o Outros Caminhos, corro pro estúdio. Mais 23 de maio, agora com transito fuindo bem. São 13 horas e lá se foi minha manhã...

Adoro meu estúdio. Fica na parte térrea do sobrado onde moro. O verdadeiro SOHO! Não era o que diziam os futurólogos, “no futuro as pessoas trabalharão em suas casas!”, pois é, aqui é realidade... E uma das coisas que mais gosto, fora a parte de não pegar trânsito para ir ao trabalho, é estar perto dos meus gatos. Tenho dois, um “sialata” chamado Tyler (gato impár, já virou até personagem de um curta) e um amarelinho, o Jack (nomes em homenagem aos personagens do clube da luta). 

E a tarde começa, almoço corrido, mais telefone, eu tentando terminar de escrever o projeto de um outro programa. Emails, MSN, email, celular, tentando escrever e o gato andando na mesa, passando em cima do teclado, parando na frente do monitor... eu não ligo, não há stress que resista a um gato tentando dormir no seu colo! As vezes atrapalha, mas confesso que ele ajuda a quebrar o ritmo um pouco. Mais email, mais negociações, mais reuniões que estou tentando agendar. Tomo bronca do diretor do programa, e o gato querendo atenção, deita na mesa, cabeça no meu braço. Puts, preciso editar...

O dia termina, e chega a hora de escrever para o 3meia5. Nossa, meu dia foi normal, nada excepcional, não houve disco voadores, nem aparições de virgens com previsões celestes, nem nada. Penso no que dizer e percebo que como um dia faz diferença na vida da gente. Poderia ficar aqui esmiuçando detalhes de produção, reclamando de um, falando que fiz e o que não fiz...

Mas o que aconteceu foi muito importante: minha reunião foi com um super-amigo, e não ficamos só no “business”. Acabamos falando de muito mais coisas; conversei com pessoas queridas que precisavam de um help ou mesmo só para um “oi, como você está?”; enviei alguns links de assuntos que sei que vão interessar a outros amigos. Ajudei algumas pessoas, fui ajudado por outras. Esquecemos que o que fazemos ontem, as pessoas com quem falamos, as escolhas que fazemos, refletem no agora, e desenham o nosso futuro.

Meu gato agora dorme e ronrona no meu colo, e sei que estou no caminho certo. Pode estar mais devagar que gostaria, mas sei que estou. Mas isso só irei saber amanhã, que por sinal já começou hoje, pois daqui a pouco vou encontrar alguns amigos num barzinho...
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Luiz Amoasei tem um estúdio criativo. Multi-tudo, viciado em tecnologia, adora coisas simples, como milho cozido, gatos e estar com os amigos.

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26 de Maio, Invasão Japonesa

Maid_cafes
Foi mal aí o pessoalzinho do olho puxado, mas não tá dando pra aguentar a barra de ficar defendendo japonês não. Passei MUITO@MUITO mal hoje! Comi um sanduíche "natural" sabor "azedo" e não devo nem ter reparado, tamanha fome, e tive uma azia de mil dragões degladiando dentro do meu estômago!  Foi quando um "sinhôzinho" que trabalha comigo disse: "li nas revistas seleções que a cozinha japonesa é a mais suja que existe no mundo". Por um lado foi bom ele ter falado pra eu NUNCA@NUNCA mais comer a comida desse pessoal deportado, mas por outro foi ruim porque né...#porque-não-falou-antes!!!?

Como dizia Djavan: "Só eu sei, as esquinas porque passeeeeei...só eu sei".

#Parei com japonês!

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Fernanda sodré: Jornalista desempregada, escritora de abusada, blogueira convicta, tricolor por opção ou talvez um daltonismo hereditário a caminho, assim como uma bipolaridade subdesenvolvida por consequências da vida. Prazer!

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25 de Maio, Um manto vermelho cobre a cidade

São 5h15. O despertador toca. Eu gosto de acordar cedo – desde que tenha ido dormir cedo. Ouço um plec – o entregador de jornais acaba de passar e jogar a edição do dia no quintal. Desço para preparar o café. Lá fora, os pássaros ainda estão silenciosos e o céu escuro não permite saber como será o dia. O aroma invade a cozinha, enquanto descasco o mamão e faço algumas torradas.

Ouço os demais despertadores da casa tocando, um por um, e os sons conhecidos de camas rangendo, portas batendo, comentários nem sempre bem humorados sendo trocados. Logo todos estão na mesa da sala, falando animada, mas brevemente, sobre o dia.

Outros plecs se seguem, de portas sendo chaveadas, portas de carro batendo, portões travando. Morar nos arredores de São Paulo tem seus charmes, mas o inconveniente da procissão matinal que segue em direção à cidade para trabalhar. Cada minuto desperdiçado em casa significa quilômetros de congestionamentos.

Mas esta manhã a cidade flui surpreendentemente bem.  Não há motoqueiros pelo chão, batidas, nem ambulâncias zunindo pelo caminho. Enquanto dirijo penso no que farei hoje. Um papelzinho deixado propositadamente no banco do passageiro ajuda a registrar as tarefas. Levei anos para desenvolver este método, que não é muito sofisticado, mas funciona bem. Logo a mente está livre para fazer haicais. O sol está surgindo e, como não chove há alguns dias, há uma camada vermelha espessa cobrindo o horizonte.

            Um manto vermelho

            A se erguer com o sol –

            Manhã de outono

Acho mágico ficar construindo histórias em 17 sílabas – embora os haicais verdadeiramente bons sejam difíceis de acontecer. Às vezes eles nascem por si mesmos, como o acima. Outros levam meses para amadurecer. Recentemente eu estava pensando numa teoria sobre a natureza dos haicais. Num primeiro nível haveria os descritivos, que sugerem uma imagem, uma situação, uma cena. Num segundo nível, mais elevado, estariam os relacionais, que sugerem de forma muito interativa uma sensação, uma lembrança, uma emoção. Quanto mais elas forem universais, mais o leitor é tocado. Para mim, os haicais mais comoventes são aqueles que falam das questões inexoráveis da vida: o nascer, a finitude e a efemeridade de tudo. E, claro, da insensatez deste nosso mundo coisa, com seu individualismo e consumismo exacerbados.

O manto vermelho vai se dispersando. “Será que os outros motoristas também o notam?”, penso. Fico algo zen, o que, por algum motivo inexplicável, me leva a pegar as pistas que fluem melhor, a me desviar dos obstáculos. Uma vez li em algum lugar que quando a gente se mantém neste estado mental é como se formasse uma redoma protetora à nossa volta. “Será que isso tem alguma evidência científica?”, é a pergunta que me ocorre.

Faz pouco tempo que descobri que amo o início do outono – eu nem prestava atenção nele. Não há as chuvas ferozes do verão, tampouco o frio do inverno ou a secura do começo da primavera. Deve ser a tal da sabedoria que, dizem, surge depois que a gente faz 40 anos. Não me sinto particularmente mais sábia em nada, contudo. Ao contrário. A cada dia descubro que sei menos do que gostaria ou deveria saber. O outono é lindo também por que logo o período letivo se encerrará. Mais uma vez. Logo outros alunos chegarão em ondas, sempre da mesma idade, 17, 18 anos.

Me ocorre que nunca tive o sonho de ser professora. Escrever sim, tanto que fui jornalista daquelas de redação por mais de 20 anos. Ainda me lembro da confusão das redações, das pretinhas -- as teclas das máquinas de escrever --, com seu barulho característico e os copos descartáveis de café frio ao lado que iam sendo sorvidos aos poucos. Mas ser professora foi algo que a vida me levou a ser, de mansinho. No começo eu achava que era algo transitório. Hoje não sei mais. A cada dia, contudo, sinto uma imensa gratidão aos alunos. Por algum motivo inexplicável, ensinar me humanizou. E também me fez descobrir onde acaba minha paciência...

O sol se ergue de vez. Ligo o rádio e tudo volta ao normal, com as notícias das barbaridades que são cometidas, todos os dias, há milênios. Suspiro. Felizmente, em algumas horas, estarei no meu quilo japonês favorito.  As melhores coisas da vida, vamos descobrindo pelo caminho, são as mais simples.

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Monica Martinez é jornalista, pesquisadora da área de Comunicação Social, professora universitária, haicaista e, a cada dia mais, escritora.

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24 de Maio, Respirar

Hoje não me lembrei de respirar. Não gente, não morri. Mas parece que trabalhei tanto que não tive tempo de me olhar e de seguir as funções básicas do meu corpo.

Não acordei e fui para o trabalho dormindo. Cheguei lá e pensei que havia tomado café, mas não. Continuei com sono até o almoço, que acabei pulando para entregar um projeto atrasado. Comi uma bolacha água e sal e continuei trabalhando. Fui assim até às 17 horas e, só fui perceber que alguma coisa estava errada quando vi minha visão turvar e a boca secar.

Parei. Respirei. Comi.

O certo seria voltar para a casa, mas como sou obrigatóriamente metódico com meus trabalhos, só consegui sair da agência às 21 horas, com um McLance Feliz na barriga, dor de cabeça e mais sono.

Espero que amanhã eu consiga respirar um pouco mais. Sei lá, pelo menos umas duas vezes por dia já seria bom.

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João Silva era blogueiro mas, por conta do trabalho, resolveu trocar este hobby por respirar.

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23 de Maio, O tempo não para

Segunda.

Pior dia da semana. Preguiça, sono e o final de semana anterior muito bem aproveitado.

Abri os olhos com todo o desejo de fechá-los, despertei e descobri que ainda não tinha perdido minha carona.Meu amigo também acordou mais tarde e possivelmente estava com preguiça de levantar. Pedi a ele mais 20 minutos, eles passaram e eu ainda estava deitada na cama.

Mando a  mensagem:

Pode ir ,vou mais tarde.

1h20min depois me levanto, são 06:55 preguiça, preguiça e preguiça.. Queria reviver meu final de semana mas é impossível, o tempo não pára.

Ainda está em tempo de viver aquela vida rotineira.

Aula. Twitter.Trabalho. Twitter..Ônibus.Twitter.Casa e mais twitter.

Já estava tudo certo, tudo arrumado pro meu dia ser mecânico. E me dispus dar uma olhada rápida num determinado site antes de sair de casa. São 07:20. A aula ainda não começou, ligo pra um colega e aviso que vou sair um pouco mais tarde;

Sentei na frente do PC (errei).

Duplo clique e começo a navegar, abri a página , comecei a assistir Friends, seria só um episódio e começou a nostalgia, não lembrava mais da aula, só sentia a saudade dos amigos!!

A maior parte deles tomou outros rumos.

Manhã chuvosa e  sentindo saudade;

Mas a vida não pára e o tempo também não, tive que seguir o dia.

Crise de rinite, o céu escureceu, perdi a aula, senti saudade de pessoas amadas (que estão longe, muito longe, mas não deixaram de ser amadas), e a preguiça imperou.

Assisti uns 4 capítulos de Friends,  perdi a minha manhã, fazendo nada, fazendo o que estava com vontade, sem arrependimento.

Depois?? Rotina seguiu. Twitter..Ônibus.Trabalho.Twitter.Casa.

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Julianne Balbina. 21 anos, cursando Redes de computadores, "se fazendo de blogueira", viciada em twitter. Contando um dia desinteressante da sua vida, mas um dia vivido!

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